Seminário: Contexto e Dimensionamento da Formação de Engenheiros e Pessoal Técnico-Científico: Evolução Recente e Cenários para 2020
Seminário apresentado no Instituto Federal de Goiás pelos Pesquisadores do Ipea
No centro das discussões acerca da disponibilidade de mão de obra qualificada no Brasil estão os profissionais de áreas técnico-científicas, especialmente engenheiros. Um conjunto de ensaios lançados no início de 2011 pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) reporta evidência de que o percentual de pessoas graduadas na área de Engenharia, Produção e Construção empregada em alguma ocupação típica de engenheiros e profissionais afins cresceu sistematicamente ao longo da década de 2000. Foi percebida ainda, no mesmo período, uma tendência ascendente dos salários desses profissionais em comparação com os de outros trabalhadores de nível superior em diversos setores da economia. Esses dois fatos interpretados conjuntamente sugerem um aquecimento do mercado de trabalho de engenheiros e profissionais afins, embora isto não signifique necessariamente uma falta de pessoas com as credenciais que lhes permitam atuar como tais.
Ao longo deste seminário foram apresentados dados sobre a evolução da formação na área de Engenharia, Produção e Construção e da demanda por ocupações afins a engenheiros, arquitetos e tecnólogos, com projeções que permitem traçar diferentes cenários do mercado de trabalho para esses profissionais até 2020. Também foram discutidas tendências recentes para carreiras de nível técnico, a partir da apresentação da evolução de alguns dados que permitam debater se há no Brasil escassez desses profissionais.
O evento foi realizado com a participação dos pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Paulo A. Meyer Nascimento, mestre em Economia da Educação pela Universidade de Londres e Rafael H. Moraes Pereira, mestre em Demografia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Textos Indicados para Subsidiar os Debates do Seminário, do PDI e de Projetos de Ofertas de Cursos de Formação das Áreas de Engenharia |
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Este texto analisa a evolução das habilidades cognitivas dos jovens brasileiros medidas pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa, na sigla em inglês). Nossos resultados são bastante positivos. Apesar de um aumento considerável na porcentagem dos jovens aptos a fazer o Pisa e, portanto, uma forte redução na seletividade, a nota média brasileira aumentou 33 pontos ao longo dos últimos nove anos. A posição relativa do Brasil também melhorou: sua nota média subiu de 75% para 80% da nota média do grupo original de países que fizeram o Pisa 2000. Em termos distributivos, os maiores aumentos nas notas foram verificados na parte inferior da distribuição de habilidade cognitivas. Os centésimos na cauda inferior da distribuição de matemática fizeram suas notas aumentarem em torno de 70 pontos contra em torno de 30 pontos para os centésimos na cauda superior. |
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O campo de estudos sobre projeções e estimativas populacionais apresenta razoável nível de amadurecimento de suas metodologias e discussões. Entretanto, quando se trata de projetar um grupo populacional muito específico, como as pessoas com uma determinada formação acadêmica/profissional, existe ainda amplo espaço para aprimoramentos metodológicos. A contribuição do presente estudo vem no sentido de refinar os métodos de projeção populacional com vistas a estimar, para o Brasil, a oferta de mão de obra qualificada com nível superior em áreas específicas do conhecimento. Para tanto, apresenta-se uma metodologia que se utiliza de um conjunto de bases de dados públicos (SIM/Datasus, Censo Demográfico, Censo da Educação Superior e PNAD). O estudo apresenta também os resultados da aplicação desta metodologia na simulação de cenários sobre a disponibilidade, até 2020, de profissionais com formação em cursos de engenharia, produção e construção e áreas afins no mercado de trabalho brasileiro. |
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Este texto acolhe diferentes ângulos de abordagem de um problema cada vez mais presente nos debates públicos: se o atual ciclo de desenvolvimento pode vir a ser frenado por estrangulamentos na oferta de força de trabalho qualificada. Naturalmente, assim posto, o problema cai na tradicional dupla face da mesma moeda: as demandas por qualificação estão aumentando mais aceleradamente do que a capacidade de qualificar trabalhadores, e se diferenciam das do passado? Ou seria a oferta que falha? Talvez nada disso caiba, ou o que caiba seja algo diverso. |
Paulo Meyer - Qualificação e Escassez de Mão de Obra
Conforme a entrevista proferida na TV Senado, o técnico de planejamento e pesquisa do IPEA, Paulo Meyer Nascimento, disse que somente 40% dos 800 mil engenheiros ainda na ativa, em todo o País, atuam na própria área de engenharia, na qual se formaram nas Universidades. Os restantes 480 mil profissionais encontram-se ou desempregados ou atuando em outros setores, em desvio de função. Veja abaixo a entrevista na íntegra:
Parte 1
Parte 2
Parte 3





